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4 de dez de 2011

Óleos vegetais III


Depois de receber alguns emails pedindo informações sobre possíveis substituições nas receitas dos sabões para algumas gorduras diferenciadas, resolvi colocar essa postagem continuando minhas tentativas de encontrar gorduras vegetais semelhantes e com isso, ampliar as opções no mundo da cosmética, seja para os que produzem, seja para os que simplesmente utilizam as gorduras vegetais como um complemento para seus tratamentos cosméticos.
Lembrando que cada gordura possui suas particularidades, e que essas sugestões para possíveis substituições não estão incluindo estas características como: lipoproteínas,terpenos,fosfolipídios,esteróides,etc com agentes antioxidantes, antiinflamatórios, bactericidas, fungicidas entre outros e, também, que os diferentes processos de extração e refino dos óleos é que preservarão essas maravilhosas características tão individuais e preciosas.
  
 Classificação dos óleos:

Os óleos vegetais podem ser classificados em vários grupos,dependendo dos ácidos graxos predominantes. Os grupos mais importantes são:[Stern et al., 1983]:
- Grupo do ácido láurico (C12:0) – contém aproximadamente 50% de ác. láurico e quantidades menores de ácidos saturados com C8, C10, C16 e C18 na cadeia carbônica. Possuem ácidos insaturados em pequena quantidade. Normalmente possuem índices de iodo entre 5 e 30 (exemplo: óleo de coco, babaçu,manteiga de murumuru,etc).

- Grupo do ácido palmítico (C16:0) – são óleos igualmente saturados e inclui o óleo de palma.

- Grupo do ácido oléico (C18:1) – a maioria destes óleos tem um índice de iodo compreendido entre 80 e 110, sendo por isso insaturados (exemplo: oliva, amendoim, colza,milho,etc).

- Grupo do ácido linoleico (C18:2) – inclui óleos com índice de iodo geralmente superior a 110 sendo considerados também insaturados (exemplos: girassol, soja e algodão).

Os óleos que possuam um teor elevado de ácido linoleico ou linolénico tendem a ser sicativos, isto é, pouco resistentes à oxidação.
Os óleos saturados do tipo esteárico ou palmítico são pouco fluidos (grande viscosidade), mas são resistentes à oxidação. Encontram-se normalmente no estado sólido à temperatura ambiente.

Partindo do estudo da composição de um determinado óleo é que podemos encontrar substituto ou grupo de substitutos que darão o mesmo equilíbrio na composição do sabão.

Abaixo coloco alguns exemplos para as substituições em nossas receitas de sabões e que, apresentam resultados bem próximos: 

Óleo de semente de ucuúba ou manteiga de ucuúba(Virola sebifera)

detalhe manteiga de ucuúba - imagem google

aumenta a dureza, espuma, persistência da espuma e limpeza                       
Por sua composição de ácidos graxos pode ser substituído pelo seguinte grupo de óleos:
60% óleo de coco + 30% manteiga de cacau + 10% manteiga de karité,
outra opção:
40% óleo de coco + 20% manteiga de karité + 40% óleo de babaçu refinado

 Óleo de sementes de Baru (Diperyx alata Vog)

detalhe fruto do Baru - imagem google

aumenta o condicionamento                                                                     
por sua composição de ácidos graxos pode ser substituido pelo grupo de óleos:
canola 30% - oliva – 40% – germem de trigo 30 %


Óleo de Sacha Inchi (Plukenetia volubilis)

detalhe fruto sacha inchi - imagem google

aumenta o condicionamento e ajuda na persistência da espuma 
por sua composição de ácidos graxos pode ser substituído pelo seguinte grupo de óleos:
60% o. de linhaça + 40% o. girassol, 
outra opção:
70% o. de girassol + 30% o. de linhaça(nessa escolha a persist6encia da espuma aumenta também, para mim, a melhor opção)
ainda uma outra opção:
50% o. de linhaça + 50% o. de girassol

Manteiga de Murumuru(Astrocaryum murumuru)

detalhe fruto murumuru - imagem google

aumenta a dureza,espuma e limpeza                                                                
por sua composição de ácidos graxos pode ser substituído pelo seguinte grupo de óleos:
80% o. coco + 20% o. rícino


 Manteiga de Manga ( Mangifera indica)

detalhe semente de manga - imagem google

aumenta a dureza, a espuma e a persistência da espuma
por sua composição de ácidos graxos pode ser substituído pelo seguinte grupo de gorduras:
manteiga de karité 20% + manteiga de cacau 50% + o. de abacate 30%,
outra opção:
o. de palma 40% + o.de amêndoas 30% + ácido esteárico vegetal 20% + o.de palmiste 10% 

Óleo de Tucum ou Tucumã ( ASTROCARYUM VULGARE. MART) 

Tucumã fruto -  imagem google

aumenta a dureza                                                                                            
por sua composição de ácidos graxos pode ser substituído pelo seguinte grupo de óleos:
o.de palma 60% + o. de amêndoas 30% + o. palmiste 10%

Óleo de Kukui ( Aleurites moluccana)

detalhe flor e fruto do Kukui - imagem google

equilibra a persistência da espuma e aumenta o condicionamento
por sua composição de ácidos graxos pode ser substituído pelo seguinte grupo de óleos:
o. de sementes de uva 50% + o. de canola 50%,
outra opção:
o. de canola 50% + o. de semente de uva 30% + o. de germem de trigo 20%

Óleo de sementes de Bacuri (Platonia insignis.)

detalhe fruto do Bacuri - imagem google

fruto do Bacuri - imagem google


 







aumenta a dureza                                                                                          
por sua composição de ácidos graxos pode ser substituído pelo óleo de palma


Lembrando que essas alterações também devem ser feitas com relação aos índices de saponificação correspondentes.

fontes:
Diversos artigos científicos da Biblioteca da UNICAMP-SP
http://www.institutobiosantos.com.br/projeto.html
http://www.dbm.ufpb.br/DBM_bioquimica_monitoria.htm
http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/lipidios/lipidios.html

16 de out de 2011

Desvendando o óleo de Argan

sementes de Argan - imagem google


Muitas vezes, encontro dificuldades que inviabilizavam o uso de determinados ingredientes naturais difíceis de serem encontrados aqui no Brasil então, nesses casos, utilizo o famoso plano "B", que sempre me proporciona maravilhosos resultados.

Nesse tópico coloco a solução para a substituição, baseada no estudo dos componentes químicos, de um ingrediente natural que é o sonho de muitos e que, por algum motivo, não podem utilizar.

Óleo de Argan - As características desse óleo vegetal trazem inúmeros benefícios para a saúde e para a cosmética, especialmente para os cabelos.

Estudando detalhadamente sua composição química, consegui reunir um mix de ingredientes que acabam por trazer resultados que considero perfeitos e de acordo com os alcançados por esse óleo nos tratamentos cosméticos.

DESVENDANDO O ÓLEO DE ARGAN

árvore Argan - imagem google


O óleo de Argan é obtido através da pressão das amêndoas extraídas dos frutos secos da Argan ( Argan Spinoza), uma árvore encontrada apenas em um território declarado como patrimônio florestal da humanidade no sul do Marrocos.

detalhe semente Argan - imagem google

É um óleo rico em ácidos graxos essenciais (80%), sendo 46% ácido oleico e 34% ácido linoleico; vitamina A,  vitamina F (ômega 6) e ômega 9, que evitam o ressecamento e perda de elasticidade da pele,estimulando a formação de colágeno e previnindo a formação de rugas, atuando como um excelente agente anti-age.




detalhe árvore Argan - imagem google
Além destas propriedades, o óleo de Argan tem em sua composição altos níveis de vitamina E, que além de ser um antioxidante natural na neutralização de radicais livres, possui propriedades hidratantes, proteção UV, além de  auxiliar  na micro-circulação cutânea. 


 As propriedades anti-inflamatórias são encontradas no óleo de Argan principalmente através dos álcoois triterpênicos, incluindo o Lupeol (71%) , semelhante a raiz de Marapuama ( Ptychopetalum olacoides Benth ). Os triterpênicos possuem propriedades medicinais de alta atividade bactericida, fungicida, antiviral, analgésica entre outras.





composição de ácidos graxos do óleo de Argan:
ácido linoleico: 34%
ácido oleico: 46%
palmítico:14%
linoleico:1%
mirístico: 1%


Partindo do estudo das composições dos ácidos graxos das gorduras, coloco  um mix de óleos vegetais que proporcionam resultados semelhantes, principalmente quanto aos fatores de condicionamento,higienização e restauração capilar.

óleo de gergelim (50%) + óleo de amendoim (40%) + óleo de macadâmia (5%) + óleo de milho (5%).
Composição de ácidos graxos do mix dos óleos acima colocados:
34,5% de ác.linoleico
47% de ác.oleico
9,3% de ác.palmítico
4,1% de ác.esteárico  (que o óleo de Argan não possui mas que para uso cosmético,possui características similares ao ác.palmítico)

Completando essa mistura, para aumentarmos os percentuais já existentes na composição estudada das vitaminas A e E,  podemos acrescentar, escolhendo uma entre as várias opções possíveis colocadas abaixo:

pró- vitamina A ( beta-caroteno) -  óleo de dendê, óleo de buriti, óleo de tucumã, óleo de pequi.
Uma outra possibilidade é utilizar extrato oleoso de cenoura ( desidratada e ralada em óleo de girassol) que também atua como uma excelente fonte de betacaroteno.

Vitamina  E - óleo de girassol prensado à frio, óleo de germem de trigo prensado à frio.
Outra opção é através de extrato oleoso de couve e espinafre em óleo de girassol.
Finalmente, podemos acrescentar cápsulas de vitamina E, essas normalmente usadas como complemento alimentar. 

Escolhendo um dos itens abaixo,coloco, para concluir, os agentes que trarão os benefícios semelhantes aos do óleo de Argan, relacionados aos efeitos bactericidas, fungicidas e anti-inflamatórios:
1% do óleo de copaíba
1% de extrato de raiz de marapuama

Esse mix de substâncias, formam um genérico do óleo de Argan e está ao alcance de nossas mãos, com substâncias 100% naturais, encontradas em casas de produtos naturais , proporcionando principalmente aos nossos cabelos, hidratação, brilho, restauração além de higienizar, trazendo vida e beleza.  



Como observação, lembro que a grande maioria dos produtos comercializados com o óleo de Argan possuem outras substâncias que além de sintéticas estão normalmente com um percentual bem maior do que o famoso óleo que deveria ser o principal componente.




fontes:
composição ácidos graxos: http://calc.mendrulandia.es/?lg=br 
vitamina A - http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/abcad20.pdf
vitamina E - http://emedix.uol.com.br/vit/vit004_1f_vitaminae.php
óleo de Argan - http://www.bestarganoil.org/tag/argan-fruit/  

28 de set de 2011

Sabão de Babaçu e Girassol

sabão de Babaçu e Girassol - processo frio - produto VEGAN

 Na verdade, esse sabão é uma homenagem aos dois óleos, babaçu e girassol, que quase sempre estão presentes nas receitas dos meus sabões por suas características especiais mas, sendo utilizados dessa vez de forma nobre, como os únicos óleos presentes na receita que inclui também um leve toque de cera de abelhas.
Preparei os dois óleos como para uma festa! Ficaram macerando junto com várias ervas aromáticas e antioxidantes por um mês.

infusão dos óleos de babaçu e girassol com ervas antioxidantes

Aproveitei para definir a decoração que foi feita com pedaços coloridos de sabão base glicerina caseira,cortados de forma irregular.

Utilizei o leite de babaçu como substituto da água estipulada na receita, aproveitando seu teor de gorduras para complementar o SE sem fugir da minha proposta pois consegui, graças a uma amiga nordestina, uma amostra desse leite tão especial mas que nunca encontrei para vender aqui onde moro, acredito que por ser ainda extraído de modo artesanal.
Por informações retiradas da net, descobri que, em breve, esse leite estará disponível para venda no supermercados, vou ficar aguardando ansiosa pois o leite é maravilhoso, possuindo também um elevado teor de proteínas.


O aroma do sabão chegou através das ervas utilizadas na infusão oleosa feita com os dois óleos da receita e também do acréscimo de óleos essenciais cítricos, minha paixão, que foram colocados no sabão com a ajuda de um extrato glicólico feito com as mesmas ervas maceradas, buscando uma perfeita sinergia.

barra do sabão quando retirado da forma

Receita:
saponificação dos óleos de babaçu , girassol  e cera de abelhas.
aditivos: infusão oleosa de ervas antioxidantes,leite de babaçu,extrato glicólico de ervas aromáticas e antioxidantes , vit.E,dióxido de titâneo,o.essenciais cítricos, decorado com pedaços de sabão de glicerina colorido com spirulina.


sabão cortado e no processo de cura



PS: Um único problema....Devido ao cuidado com a baixa temperatura que o sabão foi elaborado, por causa dos ativos das ervas e do uso de leite de babaçu, o DT acabou não ficando perfeitamente dissolvido, fato que ficou aparente só no momento do corte.
Enfim, coisas que nos fazem aprimorar através de novos conhecimentos e experiências de amigas saboeiras.
No próximo, acredito, isso já estará superado.


sobre o babaçu:
http://www.assema.org.br/geral.php?id=Coco%20baba%E7u
http://bdm.bce.unb.br/bitstream/10483/1928/1/2011_AntonioMarcosNeresFerreira.pdf
http://www.dci.com.br/Babacu-vira-novo-rival-na-categoria-de-leites-de-coco-7-54114.html

15 de ago de 2011

Sabão de polpa de abacate

sabão de polpa de abacate - processo frio - produto VEGAN


Depois de utilizar nos meus sabões aditivos com altos percentuais de gorduras como pasta de azeitonas negras, polpa de açaí, leite de coco, leite de cabra e polpa de abacate obtendo resultados que muito me agradaram e partindo do princípio que o maravilhoso óleo de abacate, tão amado por nossa pele e cabelo,está contido na sua polpa, resolvi fazer um sabão onde o óleo de abacate da minha receita além da saponificado seria também óleo sobreengordurante (SE) e estaria presente nos aditivos do sabão,ou seja, a polpa fresca do abacate.
Procurei informações sobre o percentual de polpa na fruta como também a quantidade de lipídios encontrada na polpa  para poder fazer meus cálculos e saber o peso necessário dessa fruta maravilhosa para fazer o meu sabão.
Para as espécies de abacate cultivadas aqui no Brasil,como Pollock,Simonds, Limeirão e Margarida entre outras,o percentual de polpa no fruto ( fazendo cálculos pela média das informações encontradas em artigos técnicos) é de 68% e o percentual de lipídeos na polpa corresponde segundo trabalho tese de Dissertação de Mestrado de Flávia Danielle, valores entre 9 a 20%, dependendo da época da safra, desse modo, resolvi, para efeito de segurança, usar um percentual de lípideos de 14%, ligeiramente abaixo da média,onde assim estaria no máximo aumentando o SE do meu sabão.
Usei suco de limão para reduzir a oxidação da polpa da fruta mas tive o cuidado de estudar a diferença de NaOH que esse acréscimo de ácido cítrico poderia causar ( o valor encontrado foi irrelevante).

barra de sabão de polpa de abacate





O sabão foi feito com polpa fresca de abacate batida com sumo de limão siciliano,extrato de folhas e cascas de abacate ( propriedade antioxidante, regeneradora e bactericida), infusão de folhas de abacate em óleo de copaíba ( propriedades cicatrizantes, emolientes, anti-sépticas, antiinflamatória, bactericidas e fungicidas),argila branca (atuando como depurativo, descongestionante, suavizante e oxigenante),vit.E(antioxidante e hidratante), tintura de benjoim, óleos essenciais de laranja doce, limão siciliano e patchouli.
Saponificação dos óleos de abacate contido na polpa,palma orgânico,babaçu,rícino,milho e ácido esteárico.


Considerações sobre esse sabão:
Devido ao elevado peso de polpa de abacate o sabão demorou para secar bem mais do que o normal, mas com paciência esperei o tempo "quase certo" pois ao cortar ele acabou deformando por ainda conter umidade.
Possui espuma abundante e super cremosa e hidratante.
Foi usado por um rapaz com problemas de dermatite atópica que já havia passado por vários tratamentos sem respostas satisfatórias e com o uso desse sabão ficou com a pele, segundo ele próprio e seus parentes, hidratada e melhor, tanto que forneci toda a barra e só fiquei com esses dois pedaços.

Esse resultado justifica todo o meu estudo tanto para esse sabão quanto para todos os produtos que faço.


propriedades cosméticas do abacate:
A polpa do abacate contém alto percentual de lipídeos e que devido a sua composição possui fácil penetração cutânea além de ser rica em proteínas e vitaminas A,C,E e B6,sendo um maravilhoso agente antioxidante e hidratante.
As folhas contém flavanóides que possuem ação antiinflamatória.
As cascas, para minha surpresa, possuem segundo estudo científicos 11% de lipídeos para cada 100g de cascas (esse valor realmente me surpreendeu)  além de ser rica em magnésio entre outros minerais com propriedades regeneradoras e antiinflamatórias.

fontes:
sobre a concentração de ácido cítrico no suco de limão:
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=5455
sobre o abacate:
http://www.cnmp.org.br/pt/admin/planta/arquivos/20080110121744.pdf
http://www.scielo.br/pdf/cta/v25n4/27658.pdf
http://www.teses.usp.br/index.php?option=com_jumi&fileid=17&Itemid=160&id=C7A573738E2C&lang=pt-br
importante:" A consulta a este documento de Flávia Danielle fica condicionada na aceitação das seguintes condições de uso: Este trabalho é somente para uso privado de atividades de pesquisa e ensino. Não é autorizada sua reprodução para quaisquer fins lucrativos. Esta reserva de direitos abrange a todos os dados do documento bem como seu conteúdo. Na utilização ou citação de partes do documento é obrigatório mencionar nome da pessoa autora do trabalho."

29 de jun de 2011

Óleos Vegetais II : Licuri, Pracaxi, Patauá...

Continuando com os óleos vegetais, como colocado aqui, e suas maravilhosas composições que, além de proporcionar sabões diferenciados, são perfeitos para o uso cosmético em geral:

Óleo de Licuri:



Palmeiras Licuri-imagem google
Detalhe fruto Licuri - imagem google
 Nome científico: Syagrus coronata
O licuri ou ouricuri é uma palmeira tipicamente baiana que chega a alcançar 6 metros de altura.
De sua amêndoa é extraído o óleo rico em ácidos graxos e vitamínicos.O diferencial desse óleo está na sua composição  onde encontramos ácidos graxos de cadeias médias (ácidos caprílico,cáprico e láurico) proporcionando uma excelente penetração cutânea.


Óleo de Pracaxi:

detalhe Pracaxi - imagem google
 Nome científico: Pentaclethara macroloba (Wild ) Kuntze 
Extraído da polpa e sementes é um óleo com características cicatrizantes e curativas.
Excelente hidratante, bactericida e anti-séptico possuindo uma  alta concentração de ácido behénico( C:22), aproximadamente 19% . Previne e combate estrias,promovendo elasticidade e maciez a pele. Ideal para tratar problemas de pigmentação ( manchas) , infecção e marcas na pele. É também um excelente regenerador cutâneo.

sementes de Pracaxi - imagem google


Óleo de Patauá:

Palmeira Pataúa - imagem google

Nome científico: Jessenia bataua (Martius) Burret
O patauá é uma palmeira da espécie , encontrada nas bacias do rios Amazonas além de diversos lugares na America do Sul.
O fruto do patauá possui uma única semente, é redondo e de cor arroxeada, com um mesocarpo suculento e oleoso.
É da polpa deste fruto que é extraído o óleo de patauá, que apresenta propriedades químicas e físicas semelhantes às do óleo de oliva. Na cosmética é  indicado para tratamento capilar, especialmente queda de cabelo ( Balick,1988)


detalhe do fruto do Patauá - imagem google
A extração artesanal do óleo de patauá é semelhante ao do óleo de Pequi, ou seja:
1.aquecer os frutos,
2.despolpando os frutos,
3.polpa aquecida para extração do óleo,
4. separação do óleo através de resfriamento da massa previamente aquecida.

  Óleos Vegetais l : Buriti, Pequi, Ucuúba...

7 de jun de 2011

Extratos vegetais para uso cosmético - III

extratos vegetais base óleo

Ao preparar novos extratos tenho procurado reunir diversos vegetais com funções semelhantes buscando potencializar as propriedades dos ativos.
Pensando assim, faço macerados secos que reservo para usar tanto nas infusões/decocções quanto nos extratos utilizando diferentes solventes (glicerina,álcool, óleos,etc).

Macerado seco anti-celulítico: 
propriedades: melhorar a circulação sanguínea e linfática e a ativação da permeabilidade da pele através de ativos antioxidantes,antiinflamatórios,tônicos e com efeito emagrecedor ( indutor da lipólise), combatendo a celulite, cujo nome científico é lipodistrofia ginóide.

1 parte de pó de sementes de guaraná
1 parte de pó de sementes de noz de cola
1 parte de pó de marapuama
1 parte de pó de catuaba
1 parte de pó de pimenta malagueta ou outra da familia Capsicum
1 parte de pó de uva ( sementes e cascas)
1 parte de pó de centella
1 parte pó de gengibre

Modo de fazer: misturar todas os ingredientes e macerar com o pilão para homogeneizar.
Guardar em pote esterilizado e bem fechado em locar seco.

exemplo de uso:
Extrato vegetal anti-celulite 1:8 
10g do macerado anti-celulite 
20g de água destilada
50g de glicerina bi-destilada
10g de álcool de cereais
Deixar macerar por 12h na mistura de água destilada + álcool, depois acrescentar a glicerina.
Mexer 2x ao dia durante 30 dias.Coar e guardar em vidro escuro.

Extrato vegetal anti-celulite base óleo:
10g de macerado anti-celulite
álcool de cereais
40g de óleo de semente de uva ( fácil absorção pela pele)
20g de óleo de andiroba ( propriedades aqui)
20 g de óleo de copaíba ( propriedades aqui)
É interessante iniciar com uma  mistura de álcool + macerado seco para extrair os ativos que são solúveis em água/álcool, como a cafeína para só depois acrescentar os óleos.
 Misturar os ingredientes,deixar em repouso por alguma horas e completar com a mesma proporção de óleos caso o macerado  seco tenha absorvido os óleos já colocados.
É importante que os óleos cubram completamente a mistura, deixando uns dois dedos de sobra.
Mexer 2x ao dia por 30 dias ou colocar em banho-maria, fogo baixo por 3h, tendo o cuidado de não deixar passar de 45.C. Depois coar em coador de pano esterilizado ( processo bem demorado) e guardar em vidro escuro.

A melhor maneira de escolher a gordura certa para um determinado extrato é ter como base a  composição dessa gordura que irá potencializar os ativos dos vegetais escolhidos, aumentando os efeitos pretendidos para o produto cosmético que será elaborado.
Como exemplo:
Para um cosmético com qualidades antioxidantes escolher, dentre as diversas gorduras vegetais disponíveis, uma gordura que apresente alto índice de agentes antioxidantes como óleo de Buriti (alto teor de carotenoides,altos teores de tocoferóis, compostos com atividade antioxidante e vitamínica, devido a presença de vitamina E) , óleo de pepitas de girassol prensado à frio ( rico em Ômega 6 e 9),óleo de macadâmia ( rico em Ômega 7 e 9),etc.

propriedades cosméticas dos ativos escolhidos:
a maioria dos vegetais abaixo possuem efeito tônico, aumentando a circulação e possuindo ação estimulante podendo levar a agitação, batimentos acelerados do coração, aumento da pressão,etc por esses e outros motivos devemos ter precaução quanto ao uso desses ativos respeitando o percentual de 5 a 10% no máximo, conforme indicações farmacognósticas.

sementes de guaraná (Paullinia cupana Kunth) e noz de cola (Cola acuminata (P. Beauv.) Schott & Endl.) -através do alto teor de cafeína, possuem efeito tônico e  promovem a lipólise e a renovação célula estimulando, descongestionando e removendo as toxinas.

marapuama ( Ptychopetalum uncinatum) e catuaba (Trichillia catigua) - ativadores da microcirculação promovem a drenagem linfática e a queima da gordura localizada segundo estudos realizados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

pimenta malagueta ( Capsicum sp)- através da capsaicina (alcalóide das pimentas do gênero Capsicu),com características antiinflamatórias, tônicas,antioxidantes e estimuladoras da microcirculação 

uva (Vitis vinifera L.)- As sementes e a casca da fruta , através do resveratrol ( polifenol) possui elevado efeito tônico,antioxidante,antiinflamatório promovendo a restauração da pele

centella (Centella asiatica (L.) Urban) -com propriedade regeneradora, desintoxicante, tônica e antiinflamatória ativa a micro circulação ajudando na oxigenação dos tecidos.

gengibre (zingiber officinalis) -antiinflamatório, ajuda na queima de gorduras localizadas 

é interessante lembrar que para um combate eficaz contra esse mal estético tão comum nas mulheres devemos associar uma dieta moderada de gorduras e carboidratos e rica em proteínas, beber muita água além de fazer exercícios regularmente. 

Editado para complementar informações sobre o extrato base óleo.

fonte sobre marapuama e catuaba:
http://www.usp.br/agen/repgs/2005/pags/279.htm



Postagens relacionadas:
Extratos vegetais para uso cosmético - II

30 de mai de 2011

Óleos vegetais I : Buriti, Pequi , Ucuúba...

flor da pele


Fazer sabão já é uma delícia, utilizando ingredientes diferenciados, melhor ainda!
Encontrar gorduras que estejam dentro dos padrões de qualidade exigidos para produtos cosméticos nem sempre é fácil mas vale a pena persistir pois, a diferença na qualidade final dos produtos é incrível e muito gratificante.


Sobre as gorduras naturais:



Por sua semelhança com a estrutura da pele, as gorduras naturais permitem que tanto a água, como outros princípios ativos existentes nos cosméticos sejam absorvidos pela pele, aumentando a proteção contra a perda excessiva de líquidos, permitindo a respiração cutânea e assimilando a luz solar. 
Também auxiliam o restabelecimento de peles rachadas e ressecadas, normalizando e reforçando a estrutura do tecido. 
Quando aplicada na pele, grande parte da gordura natural é absorvida pelo tecido e processada pelas enzimas, ao contrário das gorduras sintéticas, que podem causar danos, como o entupimento de poros e a obstrução de glândulas de excreção da pele.

É importante destacar, também, que algumas características distinguem estas gorduras entre si. Os processos de extração e refino das gorduras naturais destinadas aos cosméticos preservam elementos naturais da matéria-prima como vitaminas, fosfolipídios, antioxidantes, antiinflamatórios, entre outros.
Tais substâncias favorecem a bioatividade da pele, hidratando o tecido, combatendo os radicais livres (causadores do envelhecimento cutâneo), ativando a regeneração celular e formando novas fibras de colágeno.

Aprofundando um poco mais sobre as gorduras naturais:
Os lipídeos são moléculas orgânicas insolúveis em água.
Os principais tipos de lipídeos sãos as gorduras, óleos e ceras.
Os óleos e gorduras naturais são compostos principalmente por triacilgliceróis que são formados pela esterificação completa do glicerol com ácidos graxos.
As ceras se parecem com as gorduras e óleos, exceto pelo fato de que nelas os ácidos graxos se ligam a álcoois específicos e não ao glicerol.
 A fração insaponificável das gorduras naturais corresponde principalmente aos esteróis, hidrocarbonetos, álcoois graxos,tocoferóis e corantes.


Os ácidos graxos são os principais componentes das gorduras naturais.
São formados por cadeias de átomos de carbono que se ligam a átomos de hidrogênio com um radical ácido em uma de suas extremidades.
Podem se apresentar na forma saturada (onde os carbonos apresentam ligações simples) ou não-saturada (com uma ou mais ligações duplas). No caso de apenas uma dupla ligação na cadeia, o ácido graxo é denominado monoinsaturado, no caso de duas ou mais ligações, chama-se poliinsaturado.
Geralmente as gorduras apresentam ácidos graxos saturados em sua composição, já, os óleos, apresentam ácidos graxos não-saturados. Essas diferenças são percebidas nos estados físicos desses compostos em temperatura ambiente. Vale ressaltar que quanto mais elevada for a concentração de ácidos graxos saturados no lipídio, mais sólido ele se apresentará.

As várias combinações de ácidos graxos com propriedades distintas nos presenteia com infinitos tipos de gorduras com diferentes propriedades e usos.
UMA MARAVILHA!



Pelo que foi colocado dá para concluir que  podemos estudar a composição de cada gordura, combinando variáveis proporções de ácidos graxos para criarmos uma receita de sabão com os indicadores de dureza, espuma, persistência, limpeza e condicionamento equilibrados e principalmente dentro dos nossos interesses e objetivos, resultado que fica evidente ao usarmos o sabão.
Podemos fazer os cálculos manualmente ou através de diversas calculadoras online especificas para fazer sabão.A minha preferida é a Calculadora Mendrulândia que, além de possuir versão em português, também apresenta gorduras com composições semelhantes às encontradas aqui no Brasil, fornecendo um resultado bem mais próximo da nossa realidade.

Sobre certos óleos com características especiais na cosmética:

Buriti - imagem google

Óleo de Buriti:
Nome científico da planta: Mauritia Flexuosa
Palmeira de grande porte com folhas grandes, onde suas flores amarelas são em longos cachos até 3m de comprimento. Seus frutos são avermelhados, revestidos por escamas e com polpa amarela intensa.
De sua polpa é extraído um dos óleos mais ricos em ácidos graxos e vitamínicos,possuindo uma alta estabilidade térmica.
Os frutos do Buriti constituem a maior reserva natural de pró-vitamina A conhecida.
A intensa coloração vermelho-alaranjada do óleo que contém a presença de substâncias carotenóides favorece seu emprego também como corante natural , trazendo para os cosméticos emoliência, hidratação além do fator antioxidante.


Pequi - imagem google
Detalhe fruto Pequi - imagem google
















Óleo de Pequi:
nome científico da planta: Caryocar brasiliense
Árvore originária do Brasil, de onde é extraído de suas frutas um óleo rico em vitamina A e ácidos graxos que possuem caracterísitcas fundamentais para a manutenção da hidratação cutânea e do manto hidrolipídico.
Da mesma maneira que acontece no óleo de Buriti, o alto valor de carotenóides conferem proteção a pele impedindo a lipoperoxidação, evitando assim a formação de radicais livres e consequentemente o envelhecimento cutâneo.

Extração artesanal do óleo de Pequi:
O óleo de Pequi pode ser extraído também de forma artesanal onde colocamos a polpa do fruto em  água e levamos ao fogo até desprender o óleo da polpa, depois de deixarmos esfriar e levarmos à geladeira, retiramos o óleo já separado da água, em seguida, levamos o óleo novamente ao fogo baixo até perder a opacidade e ficar transparente e com isso extraímos totalmente uma possível umidade.
Finalmente coamos em coador de pano esterilizado e embalamos em vidro escuro.



fruto da ucuúba - imagem google
manteiga ucuúba












Óleo de semente de Ucuúba ou Manteiga de Ucuúba:

nome científico da planta:
UCUÚBA BRANCA – (Virola surinamensis – Warb)
UCUÚBA VERMELHA – (Virola sebifera – Aubl.)
UCUÚBA RANA – (Iryanthera sagostiana – Benth.)

Árvore da família das Myristicaceae. Seus ramos apresentam folhas alternas e glabras e os seus frutos são cápsulas esféricas, que contém semente escura muito oleaginosa.
As sementes de ucuúba são compostas por uma massa branco-amarelada denominada manteiga ou sebo de ucuúba.
As sementes são ricas em glicerídeos de ácidos graxos,principalmente trimiristina e laurodimiristina.onde 70% de trimeristina, um triglicerídeo do ácido mirístico, que constitui um óleo essencial aromático que é de grande importância para as indústrias cosmética, farmacêutica e alimentícia. Atualmente, esse óleo essencial é extraído da noz-moscada, que possui uma concentração de cerca 80% desta substância.
O óleo ou manteiga de ucuúba, devido aos seus fitoativos, possui características antiinflamatórias,cicatrizantes, revitalizantes e anti-sépticas.

fontes: 
Aromacologia - Uma ciência de muitos cheiros - Sonia Corazza
Revisões - Óleos e gorduras vegetais:Composição e Tecnologia - Luiz Antonio Gioielli